Empresário investigado pela pf no maranhão mantém contratos com governo do Tocantins e prefeituras
Um empresário investigado pela Polícia Federal em um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Maranhão mantém contratos ativos com o poder público no Tocantins. Trata-se de Antônio Edinaldo da Luz Lucena, de 47 anos, citado na Operação Inauditus, que apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa naquele estado.
Apesar de aparecer entre os investigados, não há, até o momento, qualquer indicativo de que os contratos firmados no Tocantins tenham relação com os fatos apurados pela investigação no Maranhão. O inquérito envolve suspeitas de intermediação de decisões judiciais mediante pagamento de propina, com participação de magistrados, advogados, servidores e empresários, principalmente em processos de alto valor.
atuação no tocantins
Dados disponíveis em portais da transparência mostram que a empresa Lucena Infraestrutura Ltda., ligada ao empresário, possui contratos vigentes com o Governo do Tocantins e com as prefeituras de Palmas e Araguaína. Os serviços incluem obras de pavimentação, recapeamento e manutenção da malha viária, com registros de execução desde pelo menos 2022.
obras e pagamentos em palmas
Na capital, a empresa executa serviços de drenagem e recapeamento em diversas regiões. Em 2025, foram pagos R$ 3,7 milhões referentes às três primeiras medições do contrato nº 027/2025, cujo valor total é de R$ 18,2 milhões.
A Prefeitura de Palmas informou que a contratação ocorreu por meio de licitação, seguindo a legislação vigente. Segundo a gestão, a proposta vencedora apresentou desconto superior a R$ 3 milhões em relação ao valor estimado.
O município também destacou que os pagamentos são realizados com base em medições técnicas dos serviços executados e que as obras seguem em andamento. Houve interrupção temporária durante o período chuvoso, o que é comum em serviços de pavimentação.
execução de obras em araguaína
Em Araguaína, a empresa venceu uma concorrência pública internacional para execução da primeira etapa da Avenida Siqueira Campos, obra financiada por organismo internacional.
De acordo com a prefeitura, o contrato é acompanhado por equipes técnicas e auditoria independente. A administração municipal informou que não há registro de irregularidades na execução e que os serviços passam por medições periódicas e controle de qualidade.
contratos com o governo do estado
O Governo do Tocantins, por meio da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura, também mantém contratos com a empresa para conservação de rodovias e obras de pavimentação.
Segundo o órgão, a habilitação ocorreu com base em critérios técnicos e documentais exigidos em processos licitatórios. A execução dos contratos é acompanhada por fiscalização contínua.
O Estado informou ainda que, até o momento, não houve adoção de medidas administrativas relacionadas à empresa em função da investigação no Maranhão.
investigação da polícia federal
A Operação Inauditus investiga um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão. De acordo com a Polícia Federal, há indícios de direcionamento de julgamentos, tramitação acelerada de processos e movimentações financeiras consideradas atípicas.
Entre as medidas adotadas estão mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens que pode chegar a R$ 50 milhões, afastamento de servidores e imposição de restrições aos investigados.
Até agora, não há menção no inquérito a contratos ou atuação da empresa fora do Maranhão.
posicionamento da empresa
A Lucena Infraestrutura informa, em materiais institucionais, que atua desde 1999 no setor de construção pesada, com sede em São Luís e presença em diferentes regiões do país, incluindo filial em Palmas.
A empresa afirma ter experiência em obras de grande porte, como rodovias e infraestrutura urbana, e declara atuar conforme as normas legais e regulatórias. Não houve manifestação pública específica sobre a investigação em curso.
sem ligação formal até o momento
Órgãos públicos do Tocantins reforçam que, até o momento, não existe relação formal entre os contratos executados no estado e os fatos investigados pela Polícia Federal no Maranhão. As gestões afirmam que os serviços seguem dentro dos parâmetros legais, com acompanhamento técnico e controle institucional.

