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Influenciadora que divulgava "jogo do tigrinho" é condenada por lavagem de dinheiro no Tocantins

A Justiça do Tocantins condenou a influenciadora digital Dheovana França a cinco anos de reclusão pelo crime de lavagem de dinheiro. A decisão foi proferida pela 3ª Vara Criminal de Palmas na quarta-feira (18) e também determina o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, além da perda de bens adquiridos com recursos considerados ilícitos. Ainda cabe recurso.

De acordo com a sentença, a influenciadora utilizou suas redes sociais, principalmente o Instagram, para divulgar plataformas de apostas não autorizadas, incluindo o chamado “Fortune Tiger”, conhecido como “jogo do tigrinho”. As publicações teriam ocorrido entre setembro de 2023 e março de 2024.

As investigações da Polícia Civil apontam que, nesse período, Dheovana movimentou mais de R$ 10,4 milhões, valor considerado incompatível com a renda declarada por ela, que era de aproximadamente R$ 9,3 mil mensais. Segundo o processo, parte das transações foi realizada por meio de 258 operações fracionadas, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento de recursos.

Ainda conforme a decisão judicial, a influenciadora teria adquirido bens de luxo e imóveis com valores abaixo dos reais nas escrituras, como forma de ocultar a origem do dinheiro. O juiz responsável pelo caso destacou que o esquema apresentava grau de organização incompatível com alegações de desconhecimento.

“A complexidade do esquema, com múltiplas contas, fracionamento de valores e uso de empresas de fachada, evidencia uma conduta deliberada”, afirmou o magistrado Márcio Soares da Cunha em trecho da sentença.

A defesa da influenciadora sustentou que não houve crime, argumentando que a legislação recente teria regulamentado os jogos de azar no Brasil. No entanto, o juiz rejeitou a tese, esclarecendo que a Lei nº 14.790/2023 permite apenas modalidades autorizadas pelo Ministério da Fazenda, o que não incluía as plataformas divulgadas pela ré.

Além da pena de prisão em regime inicial semiaberto, a decisão estabelece multa criminal e o pagamento das custas processuais. Os valores de indenização por danos coletivos serão destinados ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD). Também foi determinada a perda de imóveis, veículos e outros bens apreendidos, até o limite do lucro obtido com as atividades ilegais.

Apesar da condenação, a influenciadora poderá recorrer em liberdade, já que respondeu ao processo solta e não foram identificados elementos que justificassem a prisão preventiva.

Investigação

A apuração teve início após denúncias de pessoas que alegaram prejuízos com as plataformas divulgadas nas redes sociais. Segundo o Ministério Público, a influenciadora recebia comissões por novos cadastros nos sites de apostas.

Antes de alcançar grande visibilidade nas redes, Dheovana trabalhava como manicure. Com o crescimento do número de seguidores — que ultrapassava 1,2 milhão em diferentes perfis —, passou a ostentar ganhos associados à divulgação das plataformas investigadas.