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Investigado por movimentar R$ 8 bilhões em "banco digital" é preso no Tocantins

Um homem investigado por criar e operar o chamado “banco digital 4TBANK”, que teria funcionado em Palmas, foi preso no Tocantins. João Gabriel de Mello Yamawaki era considerado foragido da Justiça de São Paulo desde abril de 2025 e, segundo as investigações, é apontado como um dos principais operadores financeiros ligados ao PCC. Ele já passou por audiência de custódia e permanece detido no Estado.

De acordo com o inquérito da Operação Decurio, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, o investigado teria estruturado o 4TBANK com sede em um prédio no centro de Palmas e filiais em outros três estados. As apurações indicam que a instituição realizava movimentações financeiras ilegais que podem alcançar até R$ 8 bilhões.

O Banco Central informou que a empresa não possuía autorização para funcionar como instituição financeira.

Prisão ocorreu durante força-tarefa

João Gabriel foi localizado enquanto uma força-tarefa de policiais atuava na tentativa de identificar suspeitos de envolvimento em um voo clandestino que transportou cerca de 500 quilos de cocaína. A aeronave teria saído da Bolívia e pousado no município de Paranã, no sudeste do Tocantins.

Segundo boletim de ocorrência, o gerente de uma fazenda relatou que um homem, aparentemente nervoso, chegou ao local a pé, sem camisa, pediu água e não informou sua identidade, dando a entender que estaria fugindo. Posteriormente, conforme os policiais responsáveis pela ação, o suspeito se entregou sem oferecer resistência.

Durante a audiência de custódia, João Gabriel declarou que estava cansado, sem comer ou beber água, e que teria caminhado cerca de 40 quilômetros antes de ser abordado. Ele relatou que não foi algemado no momento da prisão.

Outras investigações

Além da Operação Decurio, o investigado também era alvo de apurações no Tocantins no âmbito da Operação Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e foi citado na Operação Serras Gerais, deflagrada em maio. A ação teve como objetivo interromper o fluxo de aeronaves utilizadas para transporte de grandes cargas de cocaína na região sudeste do Estado, além de combater a lavagem de dinheiro associada ao tráfico.

Situação na Unidade Penal de Palmas

João Gabriel está custodiado na Unidade Penal de Palmas desde a última sexta-feira, em cela de triagem. A unidade abriga aproximadamente 900 homens e opera com número de internos superior à capacidade prevista.

Em nota, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que o preso segue à disposição do Poder Judiciário, com cumprimento de todos os trâmites legais. A pasta destacou ainda que mantém o monitoramento da relação entre vagas e custodiados, conforme determina a Lei de Execução Penal.

A secretaria também relembrou que o Governo do Tocantins prevê a construção da Unidade Penal Serra do Carmo, em Aparecida do Rio Negro, com 600 vagas, com o objetivo de ampliar a capacidade do sistema prisional e permitir redistribuição da população carcerária na região central do Estado.

Defesa contesta prisão

A defesa de João Gabriel de Mello Yamawaki afirmou que a prisão foi ilegal no âmbito de ação penal que tramita na 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, em São Paulo. Segundo a nota, o investigado tem demonstrado sua inocência durante o andamento do processo e confia em absolvição ao final da ação.

Os advogados também negaram qualquer envolvimento dele com os fatos apurados na Operação Serras Gerais.

O caso segue sob responsabilidade do Poder Judiciário, enquanto as investigações continuam nos estados envolvidos.