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Mutirão em Araguaína leva saúde e cidadania à população de rua com ação de lava-pés

O tradicional gesto do lava-pés, conhecido no contexto cristão como símbolo de humildade e cuidado com o próximo, ganhou uma aplicação prática na área da saúde durante a 3ª edição do Mutirão Pop Rua Jud, realizada nesta sexta-feira (17), em Araguaína. A ação aconteceu na Escola de Tempo Integral Jardenir Jorge Frederico, no setor Maracanã, reunindo diversos atendimentos voltados à população em situação de rua.

Entre os serviços oferecidos, o lava-pés foi incorporado como parte dos cuidados médicos prestados por cerca de 200 estudantes dos primeiros períodos do curso de medicina da Faculdade de Ciências do Tocantins (Facit). A iniciativa foi coordenada pela professora Ana Paula Gonçalves Lacerda e integrou um conjunto de atendimentos básicos de saúde e acolhimento.

Até o meio da tarde, pelo menos 44 pessoas em situação de rua haviam sido atendidas. Entre elas, Joseni Maria Santos Dias, de 50 anos, relatou a experiência após passar por diferentes serviços, como banho solidário, distribuição de roupas e emissão de documentos. Ela também recebeu curativos nos pés, que apresentavam rachaduras. Segundo a participante, o atendimento contribuiu para melhorar seu estado de saúde e bem-estar.

A proposta do lava-pés, de acordo com a coordenação, vai além do simbolismo e busca prevenir problemas de saúde comuns entre pessoas em situação de vulnerabilidade. Além da higienização, a equipe realizou curativos em feridas, frequentemente causadas pelo longo tempo de caminhada e, em muitos casos, pela ausência de calçados adequados.

Outros atendimentos incluíram aferição de pressão arterial, teste de glicemia, medição de peso e orientações básicas de saúde. A ação também teve foco na formação humanizada dos estudantes. Segundo a coordenação do projeto, a participação em atividades como essa contribui para que os futuros profissionais compreendam a importância do atendimento integral, que envolve tanto a técnica quanto o cuidado com o próximo.

O mutirão também garantiu acesso a serviços de cidadania. O participante Paulo Ricardo de Nogueira, de 32 anos, conseguiu emitir a segunda via da certidão de nascimento e, a partir dela, iniciar a regularização de documentos como RG e CPF. Ele também recebeu atendimento de saúde e alimentação durante a ação.

Já Rose Maria, de 53 anos, destacou a variedade de serviços disponíveis, incluindo cuidados estéticos, como manicure e pedicure, além da doação de roupas por meio do chamado “varal solidário”. Para ela, a iniciativa representa acesso a direitos básicos e melhores condições de higiene e dignidade.

O Pop Rua Jud segue com atendimentos até as 17h, oferecendo assistência jurídica, emissão de documentos, serviços de saúde e outras ações integradas. A programação inclui ainda um casamento comunitário previsto para as 18h, com a participação de 80 casais. A iniciativa reúne instituições públicas e privadas com o objetivo de ampliar o acesso da população em situação de rua a direitos essenciais.