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Mutirão inédito amplia atendimento a pessoas com autismo em Araguaína e busca reduzir fila de espera

A Prefeitura de Araguaína iniciou nesta segunda-feira (6) um mutirão de atendimentos voltado a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), no Centro Especializado em Reabilitação (CER). A ação, realizada em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, segue até o próximo domingo (12), com funcionamento diário das 7h às 18h.

O atendimento integra a programação da 2ª Semana Nacional de Saúde e tem como objetivo reduzir a demanda reprimida por consultas e terapias. Ao longo dos seis dias, a expectativa é realizar 516 atendimentos, incluindo pacientes que aguardam diagnóstico e aqueles que já estão inseridos no serviço, mas ainda esperam acesso às terapias especializadas.

Durante o mutirão, os pacientes passam por avaliação global e consultas médicas nas áreas de neuropediatria e psiquiatria. O atendimento também conta com uma equipe multidisciplinar formada por fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e assistentes sociais, garantindo acompanhamento integrado.

O impacto da iniciativa é percebido diretamente pelas famílias que dependem do serviço. É o caso do professor João Paulo Bispo Neves, que se mudou de Piçarra para Araguaína em busca de tratamento para o filho, João Miguel, de 1 ano e 3 meses, diagnosticado com Trissomia do cromossomo 21. Segundo ele, o suporte recebido tem sido fundamental para o desenvolvimento da criança.

Além da assistência médica, o mutirão conta com estrutura voltada ao acolhimento das famílias. O espaço oferece atividades recreativas para as crianças, como brinquedos infláveis, distribuição de lanches e presença de personagens infantis. Uma ambulância da Secretaria Municipal de Saúde permanece disponível durante todo o período para eventuais atendimentos de urgência.

O CER de Araguaína é referência regional e atende moradores de cerca de 42 municípios das regiões do Bico do Papagaio e Médio Norte Araguaia. Atualmente, a unidade acompanha aproximadamente mil pacientes por mês em tratamentos contínuos, que seguem normalmente durante o mutirão.

Entre os atendidos está Rafael Moura, morador de Ananás, que realiza tratamento na unidade há quase dois anos após ser diagnosticado com Ataxia Espinocerebelar Tipo 7. A condição afeta a coordenação motora e pode comprometer a visão. Segundo ele, o acompanhamento tem contribuído para retardar a progressão da doença e possibilitado adaptação, incluindo o aprendizado de braile.

De acordo com a gestão municipal, a realização do mutirão também enfrenta desafios estruturais, como a escassez de profissionais especializados em áreas como fonoaudiologia e terapia ocupacional. Para viabilizar a ação, foi necessário buscar profissionais em outros estados, ampliando a capacidade de atendimento durante a semana.