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Policiais militares são presos por suspeita de extorsão e cobrança ilegal de dívidas no Tocantins

A decisão que fundamentou a Operação Nêmesis, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins nesta sexta-feira (24), detalha a atuação de dois policiais militares suspeitos de integrar um esquema de cobrança ilegal de dívidas, agiotagem e extorsão nas cidades de Guaraí e Palmas.

Tiveram a prisão preventiva decretada o sargento Valdimar Rufino de Sousa, de 47 anos, e o soldado Délcio Lima de Borba Júnior, de 30. Ambos são lotados no 7º Batalhão da Polícia Militar, com sede em Guaraí.

De acordo com a decisão judicial, os dois integram um grupo investigado por cobrar dívidas com juros considerados abusivos, utilizando intimidação e, em alguns casos, a própria estrutura pública para pressionar vítimas.

Atuação dos investigados

Segundo o despacho, o soldado Délcio Lima teria atuado em conjunto com outros investigados, simulando ações típicas de atividade policial para reforçar cobranças e intimidar devedores. Já o sargento Valdimar Rufino é citado como participante direto nas ações de pressão, atuando no cerco e na intimidação durante as cobranças.

As investigações apontam ainda que o grupo se valia do prestígio dos cargos públicos e, em algumas situações, do uso de armamento para reforçar as ameaças.

Outros envolvidos

Além dos policiais militares, também foram presos preventivamente:

Francisco de Assis Gomes de Almeida, de 52 anos, morador de Guaraí, apontado como responsável pelos empréstimos e principal beneficiário das cobranças com juros elevados;

Roberto Plathyny Vieira Saraiva, de 36 anos, servidor contratado da Secretaria da Cidadania e Justiça do Tocantins, suspeito de utilizar a estrutura pública para intimidar vítimas e simular atos policiais.

Conforme a investigação, o grupo atuava de forma organizada há mais de dois anos na cobrança de dívidas mediante ameaças.

Relatos de ameaças

As vítimas identificadas são um empresário de 45 anos e sua mãe, de 65, que relataram episódios frequentes de constrangimento e pressão psicológica. Há registros em vídeos, áudios e mensagens que, segundo a decisão, indicam tentativas de forçar o pagamento das dívidas.

Um dos casos considerados mais graves ocorreu em fevereiro de 2026, quando um estabelecimento comercial em Palmas teria sido invadido por integrantes do grupo, que exigiram o pagamento sob ameaças, incluindo a exibição de arma de fogo.

Ainda conforme a apuração, um dos investigados chegou a simular o registro de ocorrência policial como forma de intensificar a pressão sobre as vítimas.

Medidas adotadas

Além das prisões preventivas, a Justiça determinou o afastamento dos investigados de suas funções públicas por 60 dias, o recolhimento das armas dos policiais militares e autorizou mandados de busca e apreensão em residências e locais de trabalho.

Na decisão, o juiz destacou a existência de indícios de autoria e materialidade, além do risco de continuidade das práticas investigadas.

Posicionamento dos órgãos

A Polícia Militar do Tocantins informou que acompanhou o cumprimento das ordens judiciais e instaurou procedimentos administrativos para apurar os fatos. A corporação declarou que não tolera desvios de conduta e reforçou o compromisso com a disciplina e a ética.

A Secretaria da Cidadania e Justiça do Tocantins comunicou que o servidor investigado possuía contrato temporário para funções administrativas e que já iniciou o processo para encerramento imediato do vínculo.

A pasta também afirmou que não admite irregularidades e destacou o compromisso com a legalidade.

A defesa dos investigados informou que só irá se manifestar após ter acesso completo aos autos, considerando o sigilo da investigação.

As apurações continuam.