Greve de trabalhadores da Ebserh atinge hospital universitário no Tocantins e pressiona negociações salariais
Empregados da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), atualmente denominada HU Brasil, iniciaram nesta segunda-feira (30) uma greve geral em hospitais universitários federais em todo o país. No Tocantins, o movimento atinge o Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), em meio a impasse nas negociações salariais da categoria.
Os trabalhadores reivindicam a recomposição de perdas inflacionárias superiores a 25%, além de melhorias nas condições de trabalho e valorização profissional. Entre as pautas também estão a revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), inclusão de cláusulas sociais e a concessão de dois períodos de férias de 20 dias para profissionais que atuam na radiologia.
Segundo representantes da categoria, há insatisfação com a condução das negociações, incluindo a ausência de propostas concretas de reajuste e alegações de desigualdade nos benefícios concedidos entre diferentes níveis da estrutura da empresa.
No Tocantins, de acordo com o sindicato, a paralisação foi organizada para não comprometer o atendimento essencial à população. Mesmo assim, há impacto no funcionamento da unidade hospitalar.
Entre os setores com paralisação total estão áreas administrativas, almoxarifado, hotelaria, engenharia, logística, infraestrutura, tecnologia da informação, jurídico, saúde ocupacional e segurança do trabalho, além de serviços como fonoaudiologia, odontologia, psicologia, dermatologia e procedimentos eletivos.
Outros setores seguem operando com capacidade reduzida, estimada em cerca de 30%. É o caso da clínica médica e pediatria, laboratório de análises clínicas, diagnóstico por imagem, clínica cirúrgica, farmácia, nutrição, centro cirúrgico e hospital-dia.
A mobilização é acompanhada por entidades sindicais e ocorre em diferentes estados, podendo ganhar maior proporção dentro da rede de hospitais universitários administrados pela Ebserh. O movimento levanta preocupação quanto aos possíveis impactos na assistência à saúde pública.
Mediação no TST
As negociações entre trabalhadores e a empresa seguem sob mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em reunião realizada na última sexta-feira (27), a direção da Ebserh informou que deve apresentar uma proposta econômica ainda nesta segunda-feira (30).
A empresa também indicou que, caso a greve seja mantida, poderá ingressar com dissídio coletivo no TST para definir o percentual mínimo de funcionamento dos serviços essenciais. A medida pode encerrar o processo de mediação em andamento.
Para os sindicatos, essa possibilidade pode dificultar o avanço das negociações. As entidades afirmam que já estão organizando, junto às administrações locais, a manutenção de equipes mínimas nos setores essenciais, o que, na avaliação dos representantes, tornaria desnecessária a judicialização.
Posicionamento da HU Brasil
Em nota, a HU Brasil informou que mantém diálogo com as entidades sindicais para a construção do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027, cuja data-base está prevista para 1º de junho de 2026.
Segundo a empresa, as negociações estão sendo mediadas pelo TST desde o dia 24 de março, com nova rodada marcada para esta segunda-feira (30), quando deve ser apresentada uma proposta econômica.
A estatal também destacou que adotou medidas para garantir a continuidade dos serviços essenciais, buscando reduzir impactos à população atendida. Ainda conforme a nota, o acordo coletivo anterior (2024/2026), atualmente em vigor, contemplou avanços econômicos e sociais, reforçando o compromisso com o diálogo.

