PMs são denunciados por execução de homem na TO-181; MP aponta planejamento e tentativa de ocultar provas
Dois policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) pela morte de um homem, ocorrida em setembro de 2025, na rodovia TO-181, entre os municípios de Sandolândia e Araguaçu. A acusação sustenta que o crime foi premeditado e apresenta características de execução, com indícios de atuação semelhante à de grupos de extermínio.
O MPTO requer que os acusados sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri. Atualmente, ambos permanecem custodiados no 4º Batalhão da Polícia Militar.
De acordo com a denúncia, assinada por um grupo de promotores de Justiça, o crime teria sido planejado previamente. A investigação aponta que a vítima foi monitorada, seguida após participar de um evento em Sandolândia e interceptada durante a madrugada em um trecho isolado da rodovia.
Segundo os autos, o homem trafegava de motocicleta quando foi surpreendido. Foram efetuados oito disparos, dos quais três atingiram a vítima, que morreu ainda no local.
Um dos pontos centrais da investigação é a possível motivação do crime. Conforme o Ministério Público, a vítima havia procurado o próprio órgão para relatar supostos abusos cometidos por policiais, incluindo perseguições e ameaças. Para os promotores, esse contexto pode ter sido interpretado pelos denunciados como um risco, o que teria desencadeado a ação.
A denúncia também destaca o uso de armamento oficial na execução. Conforme apurado, uma das armas utilizadas pertence ao Estado, o que amplia a gravidade do caso ao envolver possível desvio de finalidade de equipamento público destinado à segurança da população.
Ainda segundo o MPTO, há indícios de que o crime tenha sido cometido mediante emboscada, sem possibilidade de defesa da vítima, e com atuação coordenada entre os acusados. A investigação aponta que os policiais teriam utilizado veículos e apoio logístico para garantir a abordagem e a execução.
Após o homicídio, os denunciados teriam adotado medidas para dificultar a apuração dos fatos. Entre as condutas citadas estão a suposta simulação de extravio da arma utilizada, buscas na internet relacionadas ao rastreamento de celulares e a formatação de aparelhos telefônicos.
Diante desses elementos, o Ministério Público também imputou aos acusados o crime de fraude processual, por tentativa de interferir na produção de provas e induzir a erro os trabalhos periciais.
O caso segue em tramitação na Justiça e deve avançar para as próximas fases processuais, incluindo a análise sobre o envio dos acusados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

