Minha Casa, Minha Vida impulsiona mercado imobiliário e coloca Araguaína entre os destaques do Norte do país
O programa federal Minha Casa, Minha Vida (MCMV) vem exercendo papel central na movimentação do mercado imobiliário brasileiro, consolidando-se como principal responsável pelos lançamentos e vendas de imóveis residenciais no país. Dados recentes indicam que, apenas no estado de São Paulo, o programa respondeu, em 2025, por 62% dos empreendimentos residenciais lançados e por 65% das vendas registradas no setor.
Em nível nacional, o impacto também é significativo. No primeiro semestre do ano passado, o programa foi responsável por mais da metade dos lançamentos imobiliários e por quase metade das vendas realizadas no Brasil, reforçando o papel do financiamento habitacional subsidiado na ampliação do acesso à casa própria.
Araguaína se destaca na oferta proporcional de moradias
Dentro desse cenário, Araguaína aparece como destaque na região Norte quando se observa o número de imóveis do programa em relação ao tamanho da população. Atualmente, o município soma 7.045 unidades habitacionais vinculadas ao Minha Casa, Minha Vida, sendo 881 delas enquadradas na Faixa 2 do programa.
Apesar do volume expressivo, representantes do setor avaliam que a oferta ainda não acompanha plenamente a demanda existente, especialmente para famílias com renda mensal entre R$ 2.850 e R$ 8 mil, público atendido pelas faixas 2 e 3 do programa.
Segundo o CEO da construtora M21, Rafael Faria, a procura por imóveis acessíveis permanece elevada na cidade. Ele cita como exemplo o Residencial Flor de Lins, primeiro empreendimento enquadrado na Faixa 3 em Araguaína, composto por 128 apartamentos. De acordo com o empresário, mesmo antes do início das obras, cerca de 97% das unidades já haviam sido comercializadas em menos de quatro meses.
Novos investimentos e expansão do programa
A expectativa do Governo Federal é ampliar ainda mais o alcance do programa em 2026, com previsão de atingir 3 milhões de contratações habitacionais até o final do período. Entre 2023 e meados de 2025, aproximadamente 1,63 milhão de moradias foram financiadas em mais de quatro mil municípios brasileiros, com recursos provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Somente em 2025, o volume de recursos destinados ao programa alcançou R$ 180 bilhões. Para 2026, estão previstos R$ 144,5 bilhões do FGTS para financiamento habitacional, sendo R$ 12,5 bilhões reservados exclusivamente para subsídios.
Nesse contexto, Araguaína se prepara para receber um novo empreendimento na Faixa 3 do programa, o Residencial Buritis, cujo lançamento é previsto ainda para o primeiro semestre, em área próxima à Avenida Marginal Neblina.
Juros menores ajudam na contratação
Mesmo em um cenário econômico marcado por taxa básica de juros elevada, atualmente em torno de 15% ao ano, o Minha Casa, Minha Vida continua oferecendo condições diferenciadas para financiamento. As taxas praticadas no programa podem variar entre 4% e 10% ao ano, conforme a faixa de renda do beneficiário, o que mantém o crédito habitacional acessível para parte da população.
Além disso, mudanças recentes no sistema de crédito imobiliário modernizaram a forma de utilização dos recursos da poupança no financiamento habitacional. Antes, 65% dos depósitos eram obrigatoriamente direcionados pelos bancos ao crédito imobiliário. Com o novo modelo, todo o volume depositado na caderneta passa a servir de referência para o montante destinado ao setor.
A transição para o novo sistema ocorrerá de forma gradual e deverá estar totalmente implantada a partir de janeiro de 2027, ampliando a disponibilidade de crédito para aquisição de imóveis.
Custos da construção mostram desaceleração
Outro fator que influencia o setor é a desaceleração do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), indicador que mede a variação dos custos da construção civil. O índice passou de 0,28% em novembro de 2025 para 0,21% em dezembro do mesmo ano.
No acumulado de 12 meses, também houve recuo, passando de 6,41% para 6,10% no período. A tendência de desaceleração vem sendo observada desde agosto de 2025 e contribui para um ambiente mais favorável ao planejamento de novos empreendimentos habitacionais.
Com a continuidade dos investimentos e o fortalecimento do crédito imobiliário, a expectativa do setor é de manutenção do ritmo de expansão do mercado, especialmente em cidades com forte crescimento populacional e demanda habitacional, como Araguaína.

