Categories: TOCANTINS

Combustíveis ficam mais caros em Araguaína e motoristas questionam aumento repentino nas bombas

Motoristas de Araguaína têm enfrentado um aumento significativo no preço dos combustíveis nos últimos dias. O reajuste, percebido principalmente no diesel, chegou a aproximadamente R$ 2 por litro em alguns postos da cidade, provocando reclamações entre consumidores e profissionais que dependem do transporte para trabalhar.

De acordo com relatos de motoristas e caminhoneiros, o aumento foi observado em praticamente todos os postos do município, acompanhando um movimento semelhante registrado em outras cidades do Tocantins.

Apesar da elevação nas bombas, a Petrobras, responsável por grande parte do abastecimento nacional, não anunciou recentemente nenhum reajuste oficial nos preços dos combustíveis vendidos pelas refinarias. A situação levantou questionamentos sobre a origem do aumento aplicado pelos postos.

Diante desse cenário, a Secretaria Nacional do Consumidor solicitou nesta terça-feira, 10, que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) analise os reajustes registrados em diferentes regiões do país. O objetivo é verificar se há indícios de práticas que possam configurar infração à ordem econômica, como aumentos sem justificativa ou eventual combinação de preços entre revendedores.

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que, em nível nacional, os aumentos registrados nas últimas semanas foram mais moderados. Entre o fim de fevereiro e o dia 7 de março, o preço médio da gasolina no Brasil passou de R$ 6,28 para R$ 6,30. Já o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08 no mesmo período.

Alta também é registrada em outras cidades

A elevação nos preços também vem sendo percebida por consumidores em outras regiões do estado. Em Palmas, por exemplo, motoristas encontraram gasolina sendo vendida por até R$ 6,99 para pagamentos em dinheiro ou Pix no último fim de semana. Em compras no cartão de crédito, o valor chega a R$ 7,19 por litro.

Até poucos dias antes, segundo levantamento da ANP, os preços na capital variavam entre R$ 6,57 e R$ 6,79, o que indica uma mudança significativa em curto espaço de tempo.

Segundo o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Tocantins, o cenário internacional também tem influenciado o mercado. O presidente da entidade, Wilber Silvano de Sousa Filho, explica que o aumento do preço do petróleo no exterior pressiona toda a cadeia de distribuição. Parte do combustível consumido no país, especialmente em estados como o Tocantins, é importada ou proveniente de refinarias privadas, o que pode impactar diretamente no valor final pago pelo consumidor.

Mercado internacional pressiona preços

Outro fator apontado por analistas do setor é a instabilidade no mercado internacional provocada pela escalada da guerra no Oriente Médio. Com o agravamento do conflito, o preço do petróleo voltou a subir e chegou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, atingindo o maior nível dos últimos quatro anos.

A tensão na região afeta países produtores e também rotas estratégicas de transporte de petróleo e gás, como o Estreito de Ormuz, o que aumenta as preocupações com possíveis restrições na oferta global.

Mesmo com a valorização do petróleo no mercado externo, os preços dos combustíveis no Brasil não são automaticamente reajustados. Desde 2023, a política de preços adotada pela Petrobras considera não apenas as cotações internacionais, mas também fatores internos, como custos logísticos e condições do mercado nacional. A estratégia busca reduzir oscilações bruscas para o consumidor, o que explica por que nem sempre a alta do petróleo se reflete imediatamente nas refinarias.